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Adeus Meta, X e companhia...

Daniela Filipe Bento Daniela Filipe Bento Seguir 23 de março de 2025 · 3 mins read
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Redes sociais como o X, Facebook, Instagram, e agora o Threads fizeram parte de uma longa história de partilhas de conteúdo online que produzia ou que partilhava com outras pessoas. Há vários anos que tenho um blog onde escrevo textos diversos e normalmente acabava por ser nestas redes que divulgava o que escrevia. Era assim que muitas vezes as pessoas achavam o meu conteúdo. Porém, acho que importa dar um basta. Sei que, infelizmente, estas redes são, desde o seu início, uma forma de capitalizar a nossa informação e de a vender “se não pagas o produto, é porque és o produto”. No entanto, com o seu crescimento, mais e mais pessoas aderiram a estes produtos, sendo que hoje em dia torna-se difícil sair sem ter um custo associado.

Podemos fazer com esta linha de pensamento uma crítica à presença nestas redes, mas não é o objetivo desta entrada.

Com as recentes mudanças na empresa X (ex-Twitter), a empresa de Elon Musk e a Meta, empresa que detém o Facebook, Instagram, Threads e o WhatsApp, tornou-se claro que deveria deixá-las seguir o seu rumo e eu o meu. O X, deixou de ter o espírito do Twitter, e neste momento é apenas um local onde se destila ódio sem qualquer barreira e sem qualquer ética. A Meta seguiu o mesmo caminho e deixou de verificar a veracidade dos dados, em detrimento da sua própria definição de liberdade de expressão.

Resta-me assim procurar alternativas pagas, ou não, que me permitam continuar a obter a informação que preciso e quero, bem como poder partilhar o meu conteúdo. Há uns meses comecei um processo de de-Googling, agora vou iniciar um processo de de-X, de-Meta, que inclui abandonar estas redes em detrimento de outras ou nenhuma.

Existem dificuldades, dado que a nossa vida está “literalmente” espelhada nestas redes, mas é um passo necessário que se fará com o seu tempo. Alternativas como o BlueSky para substituir o X, o Mastodon para substituir o Facebook, o PixelFed para substituir o Instagram, o Telegram ou Signal para substituir o WhastApp. Entre outras soluções que existem.

De facto, é preciso ir mais longe. É preciso questionar a própria utilização destas plataformas. Há ganhos? Não há? Chegamos a quem queremos? Estamos de facto a proliferar boa informação? Há um custo associado de sair destas redes, um custo social e económico. Por um lado, é necessário fazer valer a nossa posição enquanto ativistas pelo direito fundamental a uma vida digna e sem ser alvo de violência gratuita. Por outro lado, perder acesso a uma série de informação vai-me obrigar a procurar alternativas. Quem sabe, alternativas melhores!

Ao mesmo tempo que executo este processo de de-Googling, de-X, de-Meta, também quero transportar grande parte do meu conteúdo para infraestruturas dentro da Europa, retirando-me da dependência de empresas dos EUA. Por exemplo, este site deixou de estar num Virtual Private Server (VPS) na DigitalOcean, para estar num servidor da Hetzner (empresa alemã). Neste mesmo sentido, muitas outras mudanças vão acontecer, depois escreverei uma entrada a falar de todas as migrações que fiz e que irei fazer.

Pergunto-me como será o futuro? Estarei eu mais excluída dos espaços? Acho que no princípio estarei, porém penso que é um preço justo a pagar por estar a deixar espaços de violência. Mas em consequência do que tem acontecido, é um passo que me é natural fazer.

Deixo aqui os meus perfis nas redes sociais novas que estou, aos poucos, a migrar a minha informação.

Dani

Imagem: Daniela Bento

Daniela Filipe Bento

Escrito por Daniela Filipe Bento Seguir

escreve sobre género, sexualidade, saúde mental e justiça social, activista anarco/transfeminista radical, engenheira de software e astrofísica e astronoma